Guia de implementação

Do modelo para a prática

A metodologia define as dimensões e a escala. Esta página é sobre o 'como' — as três camadas do modelo (score, práticas, outcomes), quem avalia, quando, e o roadmap completo de adoção.

Três camadas da qualidade

O modelo de qualidade opera em três camadas complementares. Cada uma responde a uma pergunta diferente e tem mecanismos distintos de funcionamento.

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Craft Index — O Score

Líderes do projeto avaliam a qualidade do trabalho produzido usando 4 dimensões e escala 1–5. Aplicado em cadência quinzenal definida pelo modelo, gera um número comparável entre projetos e que evolui ao longo do tempo.

Responde: "Qual é a qualidade deste projeto?"

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Práticas de Qualidade — A Cultura

Iniciativas organizacionais que criam as condições para a qualidade existir: hábitos, rituais, decisões culturais. Não geram score — são adotadas ou não. Sem essas práticas, a qualidade será inconsistente independentemente da ferramenta de medição.

Responde: "O que fazemos para que projetos tenham qualidade?"

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Outcomes de Qualidade — As Métricas Externas

Estrutura de validação a partir de métricas independentes do Craft Index — NPS, CSAT, taxas de conversão, retenção, Core Web Vitals, tickets de suporte. São indicadores de resultado que confirmam (ou contradizem) o que o score interno diz.

Responde: "A qualidade percebida pelo usuário final confirma nosso score?"

As três camadas se retroalimentam. O Craft Index mede qualidade do trabalho. As Práticas produzem as condições para qualidade existir. Os Outcomes validam se essa qualidade chega ao usuário. Se o score é alto mas o NPS é baixo, algo está desconectado — e o modelo precisa ser recalibrado.

O Craft Index

O Craft Index se estrutura em três saídas que transformam avaliações qualitativas recorrentes em inteligência organizacional:

1. Score por Dimensão

4 dimensões × escala 1–5 avaliadas a cada ciclo — gera série histórica por dimensão, tornando visível onde o projeto evoluiu e onde ainda patina

2. Craft Index (Score Consolidado)

Média das dimensões no ciclo atual, comparável entre projetos e ao longo do tempo — a evolução quinzenal é mais reveladora do que qualquer snapshot pontual

3. Report Executivo

Dashboard trimestral para diretoria — agrega os ciclos do período, mostra tendência, benchmarks cross-projeto e gaps sistemicos

Como o score acontece

A avaliação do Craft Index é quinzenal — definida pelo modelo, não pelo ritmo de cada projeto. Não é um evento pontual no final de uma fase: é um acompanhamento contínuo que gera série histórica e permite enxergar evolução.

Sessão quinzenal de leads
A base do modelo

A cada duas semanas, os leads responsáveis pela qualidade da entrega — design, produto, tech, conforme o projeto — se reúnem por ~20 minutos para aplicar o modelo juntos. Não é um preenchimento solo: é uma conversa estruturada entre perspectivas diferentes. Os scores emergem do debate, não de uma única visão. O valor está na conversa, não apenas no número.

Resultado: score que reflete triangulação, não autoavaliação

Momentos críticos documentados
Sugestões de atenção aumentada

Algumas transições naturais do projeto merecem registro explícito — são oportunidades de revisão mais estruturada, mas não substituem a cadência regular e não são pré-requisitos para o modelo funcionar.

Resultado: análise aprofundada em momentos de inflexão

Cadência primeiro, momentos críticos por cima. O erro clássico é esperar o "momento certo" para avaliar. A cadência recorrente elimina esse problema: o score existe independente de qualquer gate. Os momentos críticos são uma lente adicional — não o gatilho da avaliação.

Momentos críticos sugeridos

Momento Quando Quem avalia Foco de atenção Output adicional
Fim do Discovery Transição para Delivery Design Lead + PM Fundamentação, Solução, metas de Impacto Decisão de continuidade
Pré-handoff Antes de passar para dev Design Lead + Tech Lead Craft, fit sistêmico, completude da solução Go/no-go para build
Pós-lançamento 2–4 semanas em produção Lead + PM + Data Impacto real, fidelidade de implementação Score de Impacto + QA
Revisão Cruzada Go-Live + trimestralmente Líder externo ao projeto Todas as dimensões — independente do líder do projeto Score paralelo para calibração
Portfolio Review Trimestral Diretoria + Leads Análise cross-projeto e tendências + divergências de scores Report executivo

Alvos organizacionais

≥ 3.5

Score médio do Craft Index em todos os projetos

≥ 20%

Projetos atingindo score 4+ (Excelente ou Excepcional)

Report Executivo

Visão trimestral consolidada. Este exemplo representa o painel visto pela diretoria.

Score Consolidado

3.7

Período

Q1 2025

Score por Dimensão

Fundamentação
4.0
Solução
3.8
Craft
3.5
Impacto
3.7

KPIs

  • 25% projetos ≥4.0 — meta OK
  • 5% projetos <3.0 — alerta
  • Dimensão mais fraca: Craft 3.5 — foco de melhoria

Práticas de Qualidade

As práticas de qualidade são decisões organizacionais que criam o ambiente onde qualidade pode existir. Elas não geram um score — são adotadas ou não. Uma consultoria pode ter um Craft Index perfeito em ferramentas e processos, mas sem essas práticas a qualidade será inconsistente.

Cultura de Critique

Revisão entre pares como hábito semanal, não como obrigação. Formato: "I like / I wish / What if". Ambiente seguro para feedback.

Liderança que Faz

Sócios e diretores trabalham nos projetos, não apenas gerenciam. Work & Co: "Everyone makes". Ueno: fundador desenhava pixels.

Protótipo > Apresentação

Software funcionando substitui decks de PowerPoint. "If it doesn't work in the browser, it doesn't work."

Curadoria de Clientes

Dizer "não" a projetos que não permitem qualidade. "We'd rather be great than big."

Design System como Infraestrutura

Linguagem compartilhada, componentes vivos, tokens, governança. Base de consistência em escala.

Checklist Pré-entrega

Verificação sistemática antes de cada entregável (estados, edge cases, a11y, tokens, responsividade).

Sessão de Calibração

Ritual trimestral: dois ou três líderes avaliam o mesmo projeto de forma independente e depois comparam os scores. A divergência entre avaliadores não é problema — é o dado mais valioso. Revela onde o modelo está subjetivo, onde falta referência compartilhada e onde há lacuna de expertise. Produto: rubrics mais precisas e maior alinhamento sobre o que "3" e "5" significam na prática.

Revisão Cruzada

Em momentos críticos — especialmente Go-Live — um líder externo ao projeto aplica o modelo de forma independente. O avaliador interno não coordena nem influencia. Os dois scores coexistem no registro histórico. Se divergirem em mais de 1 ponto, a revisão cruzada se torna obrigatória. Resolve o viés de autoavaliação sem depender de hierarquia: é um par, não um gestor.

Evidência Obrigatória

Para cada score, o avaliador cita o artefato que justifica a nota: link do Figma, arquivo de pesquisa, documento de handoff, resultados de teste. Sem evidência, o score não é registrado. Essa exigência resolve o gap de especialidade — quem não conhece a dimensão profundamente ainda consegue avaliar com base no que está documentado, não na memória.

Acessibilidade como Requisito

Integrada em Craft (contraste, labels, tabulação, componentes acessíveis por padrão). Não é extra, é baseline.

Outcomes de Qualidade

Os outcomes são métricas externas ao Craft Index que validam se a qualidade percebida internamente está chegando ao usuário final. Eles funcionam como um "espelho externo" — se o score interno é alto mas os outcomes são ruins, há um desalinhamento que precisa ser investigado.

Experiência do Usuário

  • NPS (Net Promoter Score) — satisfação e lealdade do produto
  • CSAT — satisfação pontual após interação
  • SUS (System Usability Scale) — percepção de usabilidade
  • Task Success Rate — % de usuários que completam tarefas-chave

Performance Técnica

  • Core Web Vitals — LCP, FID, CLS em produção
  • WCAG compliance % — acessibilidade automatizada
  • Error rate — bugs reportados pós-lançamento
  • Design-Dev fidelity — aderência visual ao design

Impacto de Negócio

  • Conversão — taxa de conversão antes/depois
  • Retenção — retorno de usuários ao produto
  • Time-to-value — tempo até o usuário obter valor
  • Support tickets — volume e tipo de chamados

Satisfação do Cliente

  • Client NPS — satisfação do cliente com a consultoria
  • Repeat rate — % de clientes que renovam
  • Referral rate — indicações espontâneas
  • Scope expansion — crescimento do escopo contratado
Outcomes não substituem o Craft Index — complementam. O score avalia a qualidade do processo e do entregável. Os outcomes medem o resultado no mundo real. A correlação entre ambos é o que valida o modelo: se projetos com score alto consistentemente geram outcomes positivos, o instrumento está calibrado.

Checklist Pré-entrega

Verificação sistemática antes de cada milestone. Não é checklist de perfeccionismo — é prevenção.

Estados & Edge Cases

  • All component states (default, hover, active, disabled, error)
  • Empty states, loading states, error states
  • Text edge cases (muito longo, muito curto)

Visual & Design System

  • Spacing tokens, color tokens, typography styles
  • Responsive behavior em breakpoints críticos
  • Animations, dark mode, microinteractions

Acessibilidade

  • WCAG AA contrast mínimo
  • Tab order lógico, labels semânticas
  • Texto real, não placeholders

Entrega

  • Scroll behavior, comportamento de overflow
  • Dark mode (se aplicável)
  • Handoff docs, componentes nomeados

Adaptação para Body Shop

O modelo se adapta quando profissionais são alocados a projetos do cliente.

Projeto (Agência)

  • Cadência quinzenal fixa (definida pelo modelo)
  • Série histórica por projeto e por dimensão
  • Momentos críticos documentados nas transições de fase
  • Responsabilidade: líder do projeto

Body Shop (Dedicado)

  • Cadência alinhada ao sprint ou ciclo do cliente
  • Foco no profissional individual + entregáveis
  • Mesmas 4 dimensões como lente avaliativa
  • Responsabilidade: compartilhada (cliente + agência)

Inputs Automatizáveis

Qual é o dado que vem da máquina, não da opinião.

Input Dimensão Ferramenta
Token adoption rate Craft Tokens Studio, Style Dictionary
WCAG compliance % Craft Stark, axe DevTools
Design-Dev fidelity Craft (Go-Live) Applitools, Percy
Component coverage % Craft + Solução Design system analytics
Core Web Vitals Craft (Go-Live) Lighthouse, PageSpeed

Plano de Implementação

A adoção do modelo é progressiva — cada fase constrói sobre a anterior. Não existe atalho: pular a educação ou o piloto compromete toda a cadeia.

FASE 1

Seleção de projetos prioritários

Nem todo projeto é candidato para o piloto. A seleção deve priorizar projetos que precisam de uma lupa na análise de qualidade — aqueles com maior visibilidade, risco ou potencial de aprendizado para o modelo.

Critérios de seleção

  • Projetos com alta visibilidade estratégica
  • Projetos com equipe experiente (reduz variáveis)
  • Mix de disciplinas (design, dev, PM)
  • Timeline que permita ao menos 4 ciclos de avaliação

Entregáveis

  • 2–3 projetos selecionados para piloto
  • Avaliadores designados por projeto
  • Cadência de avaliação definida por projeto
FASE 2

Educação sobre o modelo

Antes de medir, todos precisam entender o que está sendo medido e por quê. A educação não é um workshop único — é um processo contínuo de alinhamento que começa com lideranças e desce para times.

Atividades

  • Workshop de alinhamento com lideranças (C-level + heads)
  • Sessões de calibração com leads de disciplina
  • Documentação acessível (estas páginas)
  • Q&A aberto para dúvidas e resistências

Entregáveis

  • Modelo validado com lideranças
  • Rubrics calibradas com exemplos reais
  • Buy-in documentado dos stakeholders
FASE 3

Implementação em body shop

Profissionais alocados em clientes operam com menos controle sobre processo e escopo. O modelo se adapta: a avaliação segue a cadência recorrente do projeto do cliente, focando no indivíduo e nos entregáveis dentro das restrições existentes.

Adaptações

  • Cadência alinhada ao sprint/ciclo do cliente
  • Foco no profissional, não no projeto inteiro
  • Peso maior em Craft e Solução (o que está sob controle)
  • Check-in quinzenal com líder interno da consultoria

Entregáveis

  • Template de avaliação body shop
  • Cadência de check-ins definida
  • Feedback loop com cliente documentado
FASE 4

Implementação em projetos

Com o piloto validado, o modelo escala para todos os projetos da consultoria. A cadência recorrente passa a ser padrão — o modelo existe independente de qualquer evento pontual ou gate.

Atividades

  • Onboarding de todos os leads no modelo e na cadência
  • Calendário quinzenal fixo de avaliação para todos os projetos
  • Ferramenta de avaliação disponível e acessível a todos
  • Suporte e revisão durante os primeiros ciclos

Entregáveis

  • 100% dos projetos ativos avaliados
  • Primeiro Portfolio Review trimestral
  • Base de dados para benchmarks internos
FASE 5

Ciclos de revisão

O modelo não é estático. A série histórica acumulada pela cadência recorrente permite análises que um snapshot isolado nunca permitiria: rubrics desatualizadas, vieses recorrentes, dimensões que perderam relevância. O modelo evolui com a empresa.

Atividades

  • Portfolio Review trimestral (cross-projeto)
  • Análise de tendência de viés (scores centrais)
  • Correlação Craft Index × Outcomes
  • Recalibração de rubrics se necessário

Entregáveis

  • Report executivo trimestral
  • Changelog do modelo (versioning)
  • Metas atualizadas para o próximo ciclo
FASE 6

Práticas de qualidade

Com dados de avaliação acumulados, a empresa pode identificar gaps sistêmicos e investir em práticas culturais direcionadas. Esta fase conecta a Camada 1 (score) com a Camada 2 (cultura).

Atividades

  • Identificar dimensões consistentemente fracas
  • Implementar práticas culturais (critique, calibração)
  • Design system como infraestrutura contínua
  • Programas de mentoria entre seniores e juniors

Entregáveis

  • Plano de práticas por gap identificado
  • Rituais recorrentes estabelecidos
  • Evolução mensurável nos scores das dimensões-alvo
FASE 7

Outcomes, automação e escala

A fase final conecta a Camada 3 (outcomes) ao modelo, integrando métricas externas que validam o score interno. Paralelamente, inputs automatizáveis reduzem a carga manual e aumentam a objetividade.

Atividades

  • Integrar NPS, CSAT, CWV ao dashboard
  • Automatizar token adoption, a11y compliance
  • Correlacionar Craft Index × outcomes reais
  • Dashboard executivo com as 3 camadas integradas

Entregáveis

  • Dashboard unificado (3 camadas)
  • Pipeline de dados automatizado
  • Modelo validado por outcomes reais
O roadmap é sequencial, mas as fases se sobrepõem. Educação nunca para. Práticas começam a ser discutidas durante o piloto. Outcomes podem ser coletados desde o primeiro projeto. O importante é que cada fase esteja ancorada antes de avançar para a próxima.